HOTEL MANAGER: NÃO PERTURBE.

Disseram-me: “Quando você se tornar um gerente de hotel tudo será diferente. Terá um ótimo salário, a possibilidade de se tornar executivo de uma empresa hoteleira internacional, terá um horário mais flexível.”

Estudei. Sempre fui proativo, executei bem minhas tarefas e o mais importante: sempre fui daqueles que os colegas sempre procuravam para pedir apoio nos momentos turbulentos.

Já ganhei até prêmio “Modelo de Liderança Inspiradora”. Bonito, né? Emocionei-me quando fui ovacionado pela minha equipe. Eu tinha orgulho deles e eles confiavam em mim.  Como dizia um recepcionista: “Eu mandava gostoso…”

Já em casa era outra história:

“Você gosta mais desse hotel do que mim, Afrânio.” – dizia minha mulher.

“Cadê o papai, mamãe? Tá no hotel? – perguntava meu filho.

“O Afrânio?! Há muito tempo não tomamos uma! – reclamava meu amigo.

Em trinta anos de carreira foram muitas renúncias… e alegrias também. Nesse caminho sei que acertei muito, mas também errei.

Pode não parecer, mas eu sou de carne e osso e às vezes queria ser só uma cadeira para não ter que zanzar pelo back do hotel; quiçá apenas um crachá e não ter que escutar ninguém.

Queria meter um “não-perturbe” na porta da minha sala (com muita culpa) para evitar aquele hóspede chato ou funcionário importuno. Desejava um minuto de sossego para refletir se eu gostaria de estar sendo liderado por mim mesmo. Apoiar a cabeça no colo de alguém e chorar num dia de medo. Teria eu direito de não estar disponível 24 h por dia nas minhas férias?! Férias?

Revistas, sites, blogs de liderança elencam atitudes para se tornar um líder de sucesso: Lidere pelo exemplo; controle coisas e não pessoas, seja corajoso, seja humilde, dê feedback… Enfim, faça isso, faça aquilo… Mas não encontrei nada como “5 dicas para ajudar o seu gestor a ser gente”.

Acho que eu me perdi, só conheço o Gerente Geral Afrânio. Onde foi que eu errei? Será que não fui líder de mim mesmo?

Por que estou pensando nisso hoje?! Deve ter sido aquele bolo de aniversário…

Autora: Nivia de Oliveira (Todos os direitos reservados).