Quando cheguei na Colômbia, durante minhas férias, deparei-me com um grande painel, atrás dos guichês da Imigração, com a seguinte inscrição: “Aqui tem o povo mais hospitaleiro do mundo”.
Logo eu pensei: “Uai, essa frase é nossa!”
Nós brasileiros, somos conhecidos pela cordialidade e sobretudo pela nossa alegria. Mas durante meus passeios por Cartagena de Las Indias, logo percebi a diferença. Vou te contar e você vai me dizer quem vence esse duelo: Brasil x Colômbia.
Perdida na Praça Bolivar, perguntei a uma jovem que estava sentada na porta de uma sorveteria onde era o hotel Bastion. Ela:
– Boa tarde, Senhora. Não sei onde é… Mas… espere um minuto. (Ela pegou o próprio celular, localizou o hotel no google maps, e me disse cordialmente a localização exata).
Saindo do hotel para um passeio, perguntei ao mensageiro como chegar ao Muelle de la Bodeguita. Ele:
– Qual é o passeio que a Sra. vai fazer? Porque há saídas de lugares distintos… A que horas sai sua embarcação? Porque dependendo do horário poderá ir a pé, se não, agora mesmo lhe chamo um táxi.
Ainda no Centro Histórico, tentando localizar a casa do escritor Gabriel García Márquez, um vendedor ambulante de charutos, percebendo que eu procurava algo:
– De onde você é? Venha… eu levo você até lá. (Além disso me contou qual livro do Gabo ele gostou mais, sobre a duvidosa aterrissagem do avião de Shakira em frente à casa dela, e as peripécias de um jogador de futebol…
Viajo muito pelo Brasil e encontro pessoas gentis, mas não tenho encontrado pessoas dispostas a fazer aquele “a mais” que demonstra a sincera preocupação com outro.
Acredito que para a primeira pergunta, responderíamos: “Desculpe-me, não sei informar”. Para a segunda “um logo ali de mineiro”. Para a terceira: Talvez um apressado… “Fica naquela esquina!”.
Antes de eu viajar, não faltaram pessoas que me diziam:
– Os colombianos são chatos, insistentes e pedintes… você vai ver!
Eu vi um povo trabalhador e feliz, que está nas ruas dia e noite vendendo o que pode. Que ama a cidade em que vive, talvez por isso não desista dela. Que valoriza o patrimônio histórico e cultural em nome da própria identidade.
Que cuida do turista, porque sabe que precisa do Turismo para sobreviver.
Voltei pensando: O que faz de nós anfitriões generosos assim?
Aprendamos com os bons a revitalizar a sagrada arte do bem receber…
Autora: Nivia de Oliveira (Todos os direitos reservados).