Luiza tinha acabado de ser contratada como recepcionista para o turno da manhã do hotel.
Em pouco tempo de trabalho, Luiza recebeu diversos elogios de hóspedes e o gerente Flávio anunciou que ia promovê-la ao cargo de chefe de recepção, um cargo que estava vago.
O recepcionista Mateus, que trabalhava ali há quase dois anos no turno da tarde, se sentiu injustiçado e passou a imputar todos os erros da recepção à recepcionista novata.
Luiza, animada com o novo trabalho, não perdia tempo e seguia exercendo sua função. E sempre que estava perto de Mateus oferecia-lhe ajuda, que o rapaz recusava com grosseria.
Luiza era bem-humorada, sempre tentava fazê-lo sorrir e demonstrava gratidão. Mas Mateus se mantinha fechado, se esforçando para prejudicar o setor. Ela não entrava no jogo dele.
Sabendo que Mateus estava invejando o sucesso de Luiza, o gerente, trocou o turno de Mateus para a noite. Com raiva, o recepcionista passou a deixar todo o serviço de auditoria para Luiza fazer.
Para manter a ordem do setor, Luiza fazia todo o trabalho com maestria. O que era percebido pela gerência do hotel. Com medo do próprio fracasso Mateus não percebia que estava ajudando no sucesso dela.
Luiza não quis falar com o gerente sobre o comportamento do colega, o que certamente o comprometeria. No fundo ela sabia que ele só estava com medo.
Um dia quando o estômago de Luiza estava fervendo de tanta raiva, ela respirou, contou até dez e disse:
– Hei Mateus, você já perguntou ao gerente por que você não merece a promoção?
– Porque eu já sei quem ele PREFERE!! Respondeu Mateus, rispidamente.
– Mas essa pessoa, não chegou lá ainda! não crê que você também pode conseguir a vaga? Insistiu Luiza.
Mateus não respondeu. Mas depois de pensar um pouco, criou coragem e foi falar com o GG que respondeu:
– Por acaso vocês não têm a mesma função e o mesmo salário? Por acaso está com raiva por que sou justo? Acha mesmo que está fazendo um bom trabalho? Ambos têm a mesma oportunidade…
Quando Mateus já dava as costas o gerente disse:
– Mateus, eu ainda não fiz a minha escolha. Não acha que está desperdiçando energia naquilo que não lhe traz resultado?
A partir daí, Mateus passou a se concentrar mais no seu próprio trabalho. Chegava mais cedo e observava a forma que Luiza atendia os hóspedes e a copiava. Luiza, por sua vez, aprendeu com Mateus as habilidades de auditoria,
ficando uma hora a mais todos os dias.
Foi assim que o gerente Flávio ficou com dois candidatos a chefe de recepção. Quem escolher?
Luiza e Mateus sentiam-se confortáveis agora. Quem quer que fosse o escolhido, comemorariam e trabalhariam juntos.
Autora: Nivia de Oliveira (Todos os direitos reservados).